Por Leo Moura | Recordei-me hoje de um velho amigo. Vou chamá-lo, aqui, pelo sobrenome, Pereira. Um velho amigo. Um cara incrível. Insuportavelmente original e polêmico. Antissocial muitas vezes. Boêmio, poeta! Todos o respeitavam, mas não era bom conviva, no máximo quando lhe convinha.
Hipnotizante
Quando precisava de ajuda, visto que era um pobre diabo cheio de filhos, jogava na cara de quem encontrase, a sua miséria, e conseguia esmolas, empréstimos, cigarros, bebida, comida para a mulher e os meninos, botijão de gás, pagamento de boletos de luz, e outras urgências. Se vivo fosse, com tal hipnotizante convencimento, seria rico e bem sucedido.
A vanguarda moralista
Pereira era um revolucionário de verdade. Mas não se encaixaria nesses padrões ideológicos atuais. A vanguarda do pensamento, agora, é moralista. Pedem por censura, vigiam o comportamento alheio e controlam até o que se fala. Que disparate! Desconfio que Pereira daria um bom deputado desses de partido de esquerda. Porém, não sofreu upgrade ambiental, identitário. Escapou.
É proibido sofrer
É que Pereira era um tipo idealista esperançoso, espirituoso e não arrogante, e era feliz apesar da miséria em que vivia. Pense aí num revolucionário espartano, caridoso, malandro e pobre. Hoje em dia ninguém quer viver a beleza do drama, não se pode sofrer, é proibido. Acho que o Pereira não, não seria feliz nos dias atuais e talvez acabasse acusado de fascista pelos incautos.
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