Por Leo Moura | A questão é bem profunda. A ciência forense não me parece uma verdadeira justiça. É, talvez, mera tentativa, bem humana, de se fazer justiça. Por isso incapaz de se conduzir sozinha, mesmo guiada por seus melhores doutores; porque não passa de um conjunto de normas, tem situações tão sensíveis, que é preciso entregar o exercício para seus maiores responsáveis, a sociedade. Condenar ou inocentar os réus do incêndio da Boate Kiss, por exemplo, está para além do alcanse de juízes. A sociedade deve decidir. Aí entra o júri popular. É ferramenta de justiça do povo. 250 mortos. Quem errou; quem dormiu tranquilo; quem não vigiou; quem prevaricou?
Quando a justiça não pode errar
Os jurados condenaram os réus, o juiz leu a sentença, batido o martelo e em seguida o habeas corpus em favor dos condenados. Quando contece esse tipo de coisa, tenho a impressão de que fazer justiça é um puxa-estica. Podiam até discordar. Mas o júri popular é maior, creio que soberano. Ainda que influenciados por boa ou má condução de juízes e advogados acabassem decidindo por um veredicto nada justo. Quando a justiça não pode errar, a sociedade deve assumir o risco, se orgulhar do acerto ou chorar pelo erro. Depois de enxugadas lágrimas, convocar seus legisladores para os devidos ajustes. Os juízes apenas cumprem o doloroso dever de aplicar a lei. Há casos emblemáticos na história. Evoco aqui o mais chocante deles.
O julgamento de Jesus Cristo
Pilatos tinha outra opinião ou, quem sabe, nenhuma. Aquele modelo antigo de júri popular condenou Jesus. Não houve apelação. Mas o caso aqui é brasileiro, onde sabemos que juízes viraram celebridades e a mídia espetaculariza tudo. Tenho preocupação em crer que os governantes não mandam nos juízes; e o povo, como os incrédulos hebreus condenam ou inocentam em CAPS LOOCK, nas redes sociais. Já os togados, no afã por justiça perfeita, tecnicamente impecável como se possível fosse, nos puzeram de platéia; assistimos a verdadeiras batalhas de instâncias. Uma versão mundana da TITANOMAQUIA. Só tem que os deuses ignoravam os mortais.
Não gerreavam para serem os donos da razão
Os deuses guerreavam, creio que, pelo domínio de reinos celestiais vassalos, povoados de criaturas mitológicas inúteis, e pelos salões cinzentos do palácio do Olimpo. Pilatos não. Tivera função muito mais digna, e de fundamental importância que as dos deuses gregos. O governador da Galiléia romana, presidiu o tribunal mais importante da história do mundo. E o réu, um inocente em trágico sacrifício. Pilatos, diante das gentes, talvez perplexo ou indiferente, julgou-se incapaz. Será que, num lapso de entendimento futuro, muito afeito a bons ou maus romanos, bem humano, viu que que o poder e a justiça mundana emanam do povo, e lavou as mãos?
Quem viver verá!
Pois, quem viver, verá que todos nós prestaremos conta de nossos atos mais humanos, do dedo em riste ao inocente, do fel compartilhado e dos crimes inconfessáveis. Dos atos individuais, dos resultados de nossos advogados e juizes nos tribunais. Eis que ainda, Deus, pacientemente nos vê tentando.
sábado, 11 de dezembro de 2021
O que é justiça?
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