Por Leo Moura | Não há prova para o que a ficção científica ou propriamente a ciência chamam de “outra dimensão” ou “universo paralelo”. O próprio enunciado “outra dimensão” é absolutamente vazio no conceito, tá mais pra irrefreável desejo de que passe a existir algo que não existe. Porém, grandiosos projetos científicos conseguem levantar muito dinheiro para financiar pesquisas no campo. Querem encontrar provas do que não há evidência, muito menos teoria sequer convincente. Então, como os antigos navegadores, pretendem provar encontrando.
Quando se lê um artigo científico qualquer, dessas revistas aí, principalmente de ciência contemporânea, encontra-se argumentos que mais parecem recriações oníricas e/ou dantescas (isso é um elogio) se encararmos do ponto de vista literário. Só um aviso, a leitora não encontrará requinte estético como nas obras clássicas.
Sinais — não vistos no céu ou na terra
A ciência tem se tornado uma indústria de literatura fantástica, um mercado promissor para pessoas talentosas e de mente fértil. Com narrativas incrivelmente arrancadas das interprtações de sinais — não vistos no céu ou na terra, mas da leitura de dados; sondas espaciais, supertelescópios e colisores de hádrons produzem dados, e os gênios os leem como bruxos, como os antigos sacerdotes animistas que enxergavam profecias em qualquer lugar, fumaça, vísceras ou em bolas de cristal.
Grandes centros de pesquisa, universidades e corporações conseguem mobilizar recursos vultuosos para alimentar uma verdadeira industria de fantasias, que começa com tese, vai ao laboratório e reúne, depois, habilidosos redatores, desenhistas e criadores de animação para, por exemplo, validar a ideia de que uma macha que passa na frente de uma estrela é um planeta com potencial para abrigar vida humana.
Moradas dos deuses, o inferno, o purgtório, o paraíso
A diferença é que os antigos falavam por parábolas, ou tomados por suposta possessão; os crentes ouviam deles mensagens do além. Agora, coisas para além da nossa compreensão a ciência recria em gráficos e reproduções artísticas que parecem reais. Penso que “outra dimensão” é só um jeito alternativo de dizer que procuram o mundo espiritual, as moradas dos deuses, o inferno, o purgtório, o paraíso de Dante ou o mundo dos mortos dos antigos egípcios.
Outro fenômeno não menos engraçado é que, se hoje em dia, qualquer um debochar de uma religião é apontado como inteligente. Porém se o deboche for à deusa ciência o bicho pega. É uma blasfêmia e causa semelhante horror como a uma pessoa de fé diante de palavras verdadeiramente diabólicas.
Frente a este quadro, a única coisa que me vem à mente é que a maioria das pessoas têm um imenso potencial para uma vida de fé. Porque são movidas pela imaginação, da mesma forma que aquelas que lotaram uma colina para ver Jesus Cristo. E saíram de lá acreditando em cada palavra que ouviram.
Intacto há mais de dois mil anos
Vale lembrar que, mesmo arrastando multidão, era multidão de cidadezinha. Jesus falou para poucos, e o que ele disse está, na essência, intacto há mais de dois mil anos. Um artigo científico vira filme, série da Netflix, atinge milhões, bilhões de pessoas na instantaneidade da internet, e com superprodução milionária. Mas não sabemos se terá valor no próximo verão.
Longe das igrejas, afastadas das doutrinas e do exercício moral, as pessoas continuam sendo as pessoas, como no tempo dos profetas, porém, o potencial de fé a que me refiro tem sido muito bem aproveitado pelas indústrias da música, cinema, também na política e mídias sociais. A ciência é só a nova deusa de todas essas seitas. Em contraponto à fé em Deus, muitas gente tem fé em qualquer coisa que digam em nome da ciência.
Outros mundos, dimensões e universos paralelos
Como cantou Renato Russo, “o futuro não é mais como era antigamente”. Não está mais no desejo do povo de um país vencer uma guerra, não mais na ascensão de nações; boas e más colheitas; nem mesmo a chegada de messias ou heróis como São Sebastião num cavalo branco. Não é mais a volta de Nosso Senhor. O futuro está em outros mundos, dimensões e universos paralelos como em Cavernas de Dragão a descobrir; tomara que descubram também, com os recursos disponíveis, um jeito de voltar.
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